Uma baleia-bicuda-de-Cuvier (Ziphius cavirostris) fêmea encalhou na Praia do Andrada, possivelmente entre outubro e novembro de 2007, de acordo com as propriedades dos arquivos digitais que encontrei e do estágio de decomposição da carcaça posteriormente localizada. Nenhum dos militares da nossa cabritada/temporada havia visto o animal pessoalmente, e ninguém sabia me informar nada sobre esse encalhe.
Nos computadores da ilha, cada um tem a sua pasta para descarregar seus arquivos e imagens. Só que quando alguém tira uma foto legal, todo mundo copia pra levar de lembrança quando for embora. Dessa forma, as fotografias interessantes multiplicam-se e em duas temporadas ninguém mais sabe quem são os autores dessas imagens populares.
AS FOTOGRAFIAS A SEGUIR FORAM OBTIDAS NOS COMPUTADORES DO POIT, SÃO DE AO MENOS DUAS CÂMERAS. AUTORES DESCONHECIDOS.
(entre em contato caso conheça os autores: felipoe.mayorga@gmail.com)
Com essas imagens, durante minha estadia, consegui descobrir a localização da cova. Munido de uma pá, um calção e coragem pra enfrentar o vento frio e a chuva, eu resolvi desenterrar o bicho sozinho. Ninguém ficou muito animado de me acompanhar. Fiquei a tarde toda desenterrando apenas o crânio, e desisti de desenterrar o resto; eu estava muito cansado. É importante lembrar que eu pedi autorização para o Comandante para fazer uma cratera na praia dele.
Precisei macerar o crânio numa piscina natural por vários dias, na própria Praia do Andrada, com os Aratús me ajudando, pois eles comeram o resto de tecido mole que permanecia. Infelizmente não haviam muitos recursos para a manutenção do crânio após a maceração. Quando chegou a hora de retornar ao continente, tentei reservar alguma caixa de transporte para trazer o crânio junto, mas no final das contas eu não consegui caixa nem pra mim direito! Algumas coisas minhas foram soltas embaladas em papelão. Então deixei o crânio para que enriquecesse o Museu do POIT junto com os outros bichos. Alguns poucos meses depois, em contato com as pessoas da ilha, fiquei sabendo que o crânio havia desaparecido... Acredito que algum estudioso da área tenha trazido o crânio ao continente.
O registro foi publicado:







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